A subida da taxa máxima de IMI para 0,45% dividiu o concelho. Nas redes sociais, a revolta é real — mas também há quem defenda a medida. Uma análise ao sentimento dos oeirenses.
Uma factura que chegou sem avisar
Para muitos moradores de Oeiras, a nota de liquidação do IMI de 2026 foi uma surpresa desagradável. Não pela existência do imposto — esse já era esperado — mas pela dimensão do aumento. Trinta por cento. Quarenta. Quarenta e cinco. Em alguns casos, cinquenta. Os números que circulam nas redes sociais são concretos, com nome e situação real por detrás de cada um.
Uma habitação com mais de meio século em Carnaxide, única residência da proprietária: mais 41% de IMI a pagar. Um T1 “minúsculo”: mais 108 euros por ano. Outro proprietário que vai pagar 900 euros anuais. Não são casos isolados — são o retrato de um aumento que, na prática, se fez sentir de forma desigual e, para muitos, inesperada.
A ligação que ninguém esquece
O timing da subida do IMI não poderia ser pior para a imagem do executivo municipal. A acusação do Ministério Público a Isaltino Morais e a outros 22 arguidos por peculato — os famosos 150 mil euros em refeições pagas com dinheiro público — ainda está bem presente na memória colectiva. A coincidência não passou despercebida nos comentários: “Já dá para pagar os 150.000 euros que gastou em almoços”, escreveu um morador. “Alguém tem de pagar as grandes e caras almoçaradas”, acrescentou outro.
É difícil separar os dois temas na percepção pública. E talvez não seja sequer possível — nem justo tentar fazê-lo.
“Votaram nele, agora aguentem”
Uma das linhas de divisão mais visíveis no debate é entre quem votou no INOV25 e quem não votou. “Votaram nele — agora aguentem”, resume um comentário que resume o sentimento de muitos. A frustração de quem se opôs ao presidente da câmara e mesmo assim é afectado pela medida é palpável: “Eu não votei nele nem nunca votei, e sou obrigado a cumprir com as fantásticas políticas de quem votou nele.”
Do outro lado, há quem defenda que Oeiras continua a ser um concelho de excelência e que as infraestruturas, os serviços e a qualidade de vida têm um custo que é preciso suportar. “Querem ter Oeiras em condições — com que dinheiro?”, pergunta uma moradora. É um argumento legítimo — mas que neste contexto político específico soa a muitos como difícil de aceitar.
O que vai mudar — e o que não vai
A questão que alguns moradores colocam com mais acuidade é simples: e agora? Haverá manifestações? Petições? Acção colectiva? A resposta honesta, pelo que se lê nas redes sociais, é que a maioria vai pagar e continuar. Alguns já mudaram os seus hábitos de consumo — deixaram de fazer compras no concelho, evitam restaurantes locais. Outros falam em manifestações que nunca chegam a concretizar-se.
Há quem sugira uma petição pública para reverter a subida. Há quem aponte o portal de reclamações da Câmara Municipal como caminho formal. E há quem simplesmente reconheça, com amargura, que o povo “é muito manso” — e que a próxima oportunidade real de mudar algo só chega nas próximas eleições autárquicas.
Uma pergunta que fica no ar
No fundo, o debate sobre o IMI em Oeiras é um debate sobre confiança. Confiança de que o dinheiro pago em impostos é bem gerido. Confiança de que quem governa age com transparência e no interesse de todos. Confiança de que o aumento tem uma justificação que vai além dos números — e que essa justificação é honesta.
Neste momento, e neste contexto, muitos oeirenses dizem claramente que essa confiança está em falta.
Fontes: publicações nos grupos de Facebook “Gosto e falo de Oeiras” e outras redes sociais





















