No final de um leilão disputado, o município arrematou o espaço industrial de quase 9.000 m² em Barcarena, encerrando um dos capítulos mais dramáticos do setor gráfico português.
Uma queda anunciada ao longo de uma década
A Sogapal entrou em dificuldades em 2013, ano em que avançou com um Processo Especial de Revitalização (PER) para reestruturar dívidas de 136 milhões de euros, das quais 86 milhões estavam nas mãos do então Banco Espírito Santo. Em 2016, a empresa tentou uma segunda reestruturação, igualmente sem sucesso. Em 2020, durante a pandemia, o Novo Banco requereu a insolvência da empresa por incumprimento do plano aprovado, o que levou ao despedimento de 73 trabalhadores.
A Sogapal chegou a ser uma das maiores gráficas em Portugal, tendo imprimido jornais como o Sol e o i. Fundada em 1983, também imprimiu o Diário Económico.
O leilão e a vitória da Câmara de Oeiras
O leilão presencial realizou-se no dia 17 de março de 2026, com um valor base de cerca de 3,6 milhões de euros, sendo organizado pela leiloeira Avalibérica. No final de um processo descrito como um “aceso despique”, a Câmara Municipal de Oeiras arrematou o ativo por 4,95 milhões de euros.
O lote incluía o edifício industrial localizado em Queluz de Baixo, Barcarena, com 8.792,98 metros quadrados de área total, bem como máquinas, equipamentos de produção gráfica, meios de movimentação de cargas, mobiliário e material informático.
As dívidas que ficam para trás
A Sogapal seguiu para liquidação com dívidas de 119 milhões de euros a 106 credores, com o Novo Banco à cabeça, com 84 milhões de euros a haver. O Estado surge na lista de credores com 12 milhões de euros, dos quais 7,5 milhões à Segurança Social, 3,8 milhões à Caixa Geral de Depósitos e 641 mil euros ao Fisco.
O que vai o município fazer com o espaço?
A Câmara de Oeiras não divulgou ainda publicamente os planos concretos para as instalações. Tendo em conta a dimensão do espaço — quase 9.000 m² em plena zona industrial de Barcarena — e a política de investimento do município em infraestruturas culturais e tecnológicas, a reconversão do espaço será seguida com atenção pela comunidade local.





















