O Funicular da Graça, em Lisboa, que estava parado desde o acidente fatal do Elevador da Glória, vai voltar ao serviço “em abril”, após a conclusão de uma vistoria técnica que confirmou as boas condições estruturais e operacionais do equipamento, revelou a Carris na segunda‑feira, 2 de março. O regresso à normalidade contrasta com a situação dos ascensores da Bica e do Lavra, que continuam suspensos, sujeitos a estudo, testes e avaliação.
Vistoria técnica e regresso à normalidade
O funicular foi alvo de uma comissão técnica independente, que analisou toda a documentação, realizou inspeções presenciais e ensaios específicos, comparando o equipamento com práticas de outros sistemas semelhantes na Europa. O relatório final concluiu que o Funicular da Graça reúne boas condições técnicas para retomar a operação, bastando cumprir algumas ações de reforço de segurança, como ensaios complementares, revisão de medidas de autoproteção e atualização da formação dos operadores.
A Carris indica que, após autorização do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), o equipamento deverá voltar a funcionar em pleno já no mês de abril.
Histórico recente do equipamento
Inaugurado a 12 de março de 2024, o Funicular da Graça foi o equipamento mais recente da rede de ascensores e elevadores históricos da cidade, ligando a Mouraria à Graça num percurso de cerca de 1,5 minutos, com capacidade para até 14 passageiros por viagem. O projeto, que levou cerca de 15 anos a concluir, representou um investimento na ordem dos sete milhões de euros e estava até 2025 sob gestão da EMEL, passando depois para a Carris.
“Suspendeu‑se tudo” após o acidente da Glória
Após o descarrilamento fatal do Elevador da Glória, em setembro de 2025, que provocou 16 mortos e mais de duas dezenas de feridos, a Câmara Municipal de Lisboa determinou a suspensão preventiva de todos os equipamentos equivalentes, incluindo o Funicular da Graça, os ascensores da Bica e do Lavra. O objetivo era garantir padrões reforçados de segurança, alinhados com as melhores práticas nacionais e europeias, antes de voltar a abrir ao público.
Ao longo de seis meses, as vistorias e investigações permitiram caracterizar falhas graves no elevador da Glória (incluindo o uso de um cabo não certificado para transporte de pessoas e falhas nas inspeções regulares), levando a uma revisão profunda dos protocolos de segurança da rede.
Ascensores da Bica e do Lavra ainda parados
Enquanto o Funicular da Graça obtém luz verde técnica, os ascensores da Bica e do Lavra permanecem encerrados, sujeitos a “estudo, testes e avaliação” de forma a assegurar que a sua reabertura seja compatível com os novos requisitos de segurança. A Carris e o IMT sublinham que a prioridade é validar cada equipamento de forma independente, sem pressa, antes de reintegrar no serviço regular.
Investimento e futuro da rede de ascensores de Lisboa
O Funicular da Graça representa não só um novo eixo de mobilidade entre a Mouraria e a Graça, como também um importante recurso turístico na zona histórica da cidade. A reabertura, mesmo que gradual, simboliza um passo importante na confiança dos cidadãos e visitantes nos ascensores e elevadores lisboetas, num contexto em que o relatório preliminar do acidente da Glória acendeu alertas sobre falhas de inspeção e manutenção.
Agora, o paradoxo está no contraste entre o equipamento mais recente já “apanhado” para regressar ao serviço e os mais antigos ainda em avaliação. A aposta da Câmara e da Carris será manter padrões de segurança reforçados, para que, quando o Bica e o Lavra reabram, o posicionamento dos lisboetas e turistas seja de confiança, e não apenas de nostalgia.





















