O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, acusa a autarquia vizinha da Amadora de estar a avançar com urbanizações que chegam – e em alguns pontos ultrapassam – os limites administrativos de Oeiras, na zona da Serra de Carnaxide. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Isaltino fala de “construções que avançam para território” de Oeiras e ameaça reagir reforçando a fronteira com uma linha arborizada quase a chegar ao conceito de “muralha”.
Construções “a bater à porta” de Oeiras
Segundo Isaltino, junto à fronteira entre os dois concelhos na Serra de Carnaxide existem urbanizações que se aproximaram da linha divisória e, em alguns casos, atravessaram-na, instalando‑se em terrenos classificados como pertencentes ao território de Oeiras. Do lado de fora dos muros destas urbanizações, o autarca mostra uma zona verde preservada, que considera património natural do concelho.
O presidente afirma que a autarquia de Oeiras já alertou por diversas vezes a Câmara da Amadora para a situação, sem, no entanto, obter uma resposta efetiva para a correção dos limites e o respeito pela demarcação administrativa.
A questão dos portões e do uso da serra
Um dos pontos de maior tensão está ligado a portões abertos a partir de logradouros das casas na Amadora, que dariam acesso direto ao território de Oeiras, permitindo aproveitar caminhos e áreas verdes da Serra de Carnaxide.
Isaltino argumenta que estes acessos ilegais danificam a zona natural – pisada de vegetação, ruído, depósitos atípicos – e reforçam a sensação de “invazão” do território concelhio. Ao mesmo tempo, sublinha a diferença de paisagem: do lado da Amadora, sobretudo construção; do lado de Oeiras, a serra mantém‑se preservada e em estado relativamente natural, resultado de um trabalho de conservação ambiental que o município diz estar a investir em.
A “muralha” arbórea prometida por Isaltino
Como resposta, a Câmara de Oeiras encontra‑se a implantar uma linha arborizada ao longo da fronteira com a Amadora, apoiada numa rede de rega e num projeto de plantação de árvores que sirva como cortina física e visual entre os dois concelhos.
Na descrição do vídeo, o autarca fala em “muralha” como metáfora da barreira natural que pretende criar: se as construções continuarem a avançar fracturando a divisão administrativa, Isaltino não descarta a hipótese de contrapor obras mais pesadas (como intervir em rotundas e erguer estruturas físicas limitadoras), para travar novas ocupações do território de Oeiras.
Perspetiva de “boa vizinhança” com tom de guerra pública
Apesar do tom duro, Isaltino diz ainda acreditar que a publicação pública do vídeo possa conduzir a um entendimento entre as duas autarquias, em defesa dos cidadãos de Oeiras e da Amadora. No fundo, a mensagem é de que a competitividade entre municípios não deve passar por aprofundar conflitos de fronteira ou fragilizar espaços naturais que servem ambas as comunidades.
Do ponto de vista de Oeiras, o episódio reforça a narrativa do concelho como refúgio verde e preservado no meio da pressão urbanística da Área Metropolitana de Lisboa, mas lembra também que essa posição não é livre de tensões – sobretudo quando os vizinhos querem expandir‑se até à fronteira.





















