A sessão pública de apresentação do Pedido de Informação Prévia (PIP) para a Fundição de Oeiras, realizada na semana passada, deixou muitos dos presentes com sérias dúvidas — não sobre o projecto em si, mas sobre a escala das torres propostas e o impacto que terão no tecido urbano do concelho.
O projecto em números
A proposta prevê 17 lotes com habitação, comércio, serviços, hotel, residência de estudantes e equipamentos de ensino superior. Mas o que está a gerar mais polémica são os dois edifícios de maior dimensão, com alturas que chegam aos 16 andares, numa zona que hoje é ocupada por armazéns industriais baixos junto à linha de comboio.
Um morador presente na sessão recorreu à inteligência artificial para simular como ficará o horizonte local com as torres propostas — e a imagem que circula nas redes sociais está a chocar muita gente.
A questão do trânsito: 3.000 carros por dia?
Uma das perguntas que mais preocupa quem conhece a zona é o impacto na mobilidade. Com 355 fogos, um hotel, comércio e serviços, a estimativa é de que o projecto gere cerca de 3.000 veículos por dia em circulação — numa área que já hoje tem sérias limitações de acessibilidade.
“Será que as ruas na zona aguentam cerca de 3.000 carros por dia?”, questionou o morador que partilhou a simulação. A pergunta ficou no ar — e sem resposta clara da apresentação.
Outros moradores apontam para o impacto em cascata: a A5, a Marginal, o CRIL e a área do Estádio Nacional já são hoje pontos críticos de congestionamento. Com este e outros projectos em curso na mesma zona — Torres do Espargal, Moinho das Antas e Porto Cruz —, o cenário pode tornar-se insustentável.
“Oeiras vai virar o Dubai” — a revolta nas redes sociais
A reacção dos moradores nas redes sociais foi intensa. Os comentários acumulam-se e os temas são recorrentes:
Infraestruturas: “Falta de infraestruturas adequadas a tão brutal aumento da população — saneamento, acessos, recolha de lixo, estacionamento.” Outros vão mais longe: “E fazer um hospital não? E ter bombeiros bem formados para isso? Não se pensa a curto prazo.”
Identidade do concelho: “A Oeiras que conhecemos, onde nós Oeirenses construímos sonhos, família e relações, vai acabar muito em breve.” Ou ainda: “Oeiras, qualquer dia, vira o Dubai.”
Segurança: “Gostava de saber com que meios vão socorrer os habitantes dessas torres em caso de incêndio ou apagões eléctricos, que parecem ser cada vez mais frequentes.”
PDM como argumento: Vários moradores contestam o argumento de que o projecto está previsto no Plano Director Municipal. “O proposto no PDM é a carga máxima. O resto é decisão da CM!”, lembra um residente.
Há também vozes discordantes da contestação generalizada. Alguns argumentam que Portugal precisa de crescer em altura face à crise de habitação: “Falta casas, mas construção em altura não… Agora se me disserem que deveria ao mesmo tempo ser implementada infraestrutura pública, aí concordo.”
O que acontece agora
A consulta pública está aberta até 7 de abril de 2026. É a oportunidade formal para os munícipes apresentarem as suas observações e sugestões sobre o projecto.
As observações podem ser entregues presencialmente nos Paços do Concelho, por correio dirigido ao Presidente da CMO, ou por e-mail para [email protected].
Tem opinião sobre este projecto? Participe na consulta pública até 7 de abril — ou partilhe a sua posição connosco em [email protected].
📌 Fontes: Publicação no Facebook Gosto efalo de Oeiras, 25/02/2026. O aquioeiras.pt recolheu e compilou as reacções públicas de moradores do concelho.





















