Depois de ter denunciado publicamente o estado da calçada e do pilarete destruído pelos camiões de abastecimento do Pingo Doce das Palmeiras, na Rua Eugénio dos Santos em Oeiras, viu a sua publicação gerar uma onda de comentários — nem todos solidários.
Chamaram-lhe “comichoso”, sugeriram que tem “problemas mentais” e aconselharam-no a mudar-se ou a ter “pena” das dificuldades dos motoristas. A resposta de foi direta, corajosa e impossível de ignorar.
O desafio: venham sentar-se na cadeira
“Faço aqui um convite público a todos os que comentaram que eu deveria ‘deixar-me de tretas’: venham à porta do meu prédio. Eu tenho uma cadeira de rodas que podem usar.”
O desafio é simples e devastadoramente eficaz. Convida os seus críticos a sentarem-se na sua cadeira de rodas e a tentarem navegar pela calçada que ele percorre todos os dias — cheia de buracos, irregularidades e os restos de metal de um pilarete arrancado pela negligência de quem não olhou para o espelho do camião.
Quando uma pedra solta é uma barreira intransponível
A publicação expõe com clareza uma realidade que muitos desconhecem ou ignoram: o que para uma pessoa sem limitações de mobilidade é um simples “aperto”, para quem se desloca em cadeira de rodas pode significar a perda total de autonomia.
“O que para vocês é uma pedra solta, para quem anda de cadeira de rodas é uma barreira intransponível”, escreve o morador, sublinhando que não está a reclamar por capricho — está a lutar pelo direito básico de circular na sua própria rua.
Uma questão de dignidade, não de logística
É claro quanto ao que está verdadeiramente em causa: “A minha vida não é um debate sobre logística. É uma luta por respeito.”
O espaço público existe para todos — e a acessibilidade não pode ser tratada como um favor ou uma concessão, mas como um direito fundamental. Os camiões de abastecimento têm espelhos panorâmicos precisamente para evitar este tipo de danos. Basta usá-los.
Um caso que continua sem resolução
Recorde-se que já submeteu a sua queixa na plataforma “O Meu Bairro” da Câmara Municipal de Oeiras e tornou a situação pública nas redes sociais. Até ao momento, nem a autarquia nem o Pingo Doce responderam publicamente com uma solução concreta.















