Faltam pouco mais de seis semanas para uma mudança que vai afectar o dia-a-dia de todos os portugueses — incluindo os oeirenses — nas compras do supermercado. A partir de 10 de abril de 2026, todas as garrafas e latas de bebidas passam a ser vendidas com uma taxa de depósito de cerca de 10 cêntimos por embalagem, que é devolvida ao consumidor quando este entrega o recipiente num ponto de recolha.
É o chamado Sistema de Depósito e Retorno (SDR) — e Portugal tem boas razões para o implementar.
Porquê agora?
Portugal apresentou uma taxa de utilização de materiais reciclados de apenas 3% — a terceira mais baixa de toda a União Europeia, segundo o Eurostat. O SDR é a resposta do Governo a este problema, seguindo o exemplo de países como a Noruega, onde um sistema semelhante funciona há cerca de 50 anos com resultados muito positivos.
Como vai funcionar na prática
O processo é simples:
Quando compra uma bebida, paga o preço habitual mais 10 cêntimos de depósito por embalagem. Depois de consumir a bebida, entrega a embalagem num ponto de recolha e recebe os 10 cêntimos de volta — em dinheiro, crédito para compras, transferência digital ou doação a uma causa.
No caso das máquinas automáticas, é emitido um talão com o montante a receber.
Onde entregar as embalagens em Oeiras
A rede de recolha vai ser alargada a todo o país, com três tipos de pontos de entrega: cerca de 2.500 máquinas automáticas em grandes superfícies comerciais — como os supermercados que existem em Oeiras —, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 50 quiosques automáticos em zonas de grande afluência. Cafés, restaurantes, hotéis e lojas tradicionais também poderão participar de forma voluntária.
O impacto esperado
Os objectivos do sistema são ambiciosos mas concretos: evitar cerca de 109 mil toneladas de CO₂ por ano, criar aproximadamente 1.500 postos de trabalho e reduzir significativamente os resíduos urbanos.
As embalagens recolhidas serão enviadas para seis centros de processamento de grande capacidade e duas unidades de triagem, em Lisboa e no Porto — o que beneficia directamente a região onde Oeiras se insere.
Há razões para preocupação?
Alguns especialistas alertam para possíveis dificuldades na implementação. A indústria e o comércio têm pouco mais de um mês para reajustar preços, adaptar rótulos e códigos de barras e garantir que os sistemas informáticos reconhecem as embalagens abrangidas. A criação de toda a infraestrutura deverá custar entre 100 e 150 milhões de euros.
O aquioeiras.pt vai acompanhar a implementação deste sistema no concelho e informar onde estarão disponíveis os pontos de recolha em Oeiras a partir de abril.




















