O projeto, com um investimento de 2,7 milhões de euros, prevê 120 lugares de estacionamento nos terrenos da Quinta Real. Vozes da comunidade apelam ao respeito pelo enquadramento patrimonial do local.
O projeto
O município de Oeiras concluiu o projeto de execução de um novo parque de estacionamento localizado nos terrenos da Quinta Real de Caxias, na margem esquerda da Ribeira de Barcarena. O equipamento surge no contexto da intervenção prevista para o Largo Alves Redol, que passará a ser de uso exclusivamente pedonal, tornando necessária a criação de alternativas de estacionamento na zona.
O projeto contempla 120 lugares para veículos ligeiros, dos quais 4 reservados para pessoas com mobilidade condicionada e 13 com carregamento elétrico, além de 9 lugares para motociclos e 14 suportes para bicicletas. Está ainda prevista a plantação de cerca de 130 árvores, a construção de duas pontes de acesso pedonal e viário, e a execução de muros nas margens da ribeira. O investimento total é de 2,7 milhões de euros.
A preocupação patrimonial
A divulgação do projeto nas redes sociais gerou uma reação preocupada por parte de residentes e conhecedores da história local. O argumento central não é de oposição à criação de infraestruturas, mas de apelo ao bom senso e ao respeito pelo património.
A Quinta Real de Caxias integra um espaço com uma história secular que vai muito além das últimas décadas. Até às inundações dos anos 60, os quarteirões de buxo estendiam-se até à própria ribeira, numa continuidade paisagística que definia o que poderá ter sido um dos maiores jardins setecentistas de Portugal. Documentação histórica, incluindo uma planta de 1844 do Almoxarifado de Caxias, demonstra que ainda existe margem para escolher abordagens alternativas que respeitem esse legado.

A classificação patrimonial atualmente existente abrange o jardim da cascata e os 50 metros envolventes — um perímetro que muitos consideram insuficiente face à dimensão e ao valor histórico do conjunto. O apelo que chega da comunidade é claro: sendo o Estado o proprietário do espaço, e cabendo à Câmara Municipal de Oeiras a gestão urbanística, ambos têm a responsabilidade de garantir que qualquer intervenção respeite o enquadramento histórico e promova, tanto quanto possível, o restauro do que este espaço foi.
Um equilíbrio possível
A questão não é nova em Oeiras — um concelho onde o desenvolvimento urbano e a preservação do património coexistem frequentemente em tensão. No caso da Quinta Real de Caxias, a comunidade pede que a autarquia demonstre que é possível responder às necessidades práticas dos moradores sem comprometer um legado que, com o devido investimento e vontade, pode ainda ser recuperado para as gerações futuras.
Fonte: publicação de Fernando Lopes no grupo de Facebook da comunidade de Oeiras.






















Resolver um problema de estacionamento à custa da destruição de um jardim histórico e de um dos poucos pulmões verdes da zona não é progresso, é um retrocesso. A Quinta Real de Caxias é património, memória e qualidade de vida. Existem certamente alternativas que não impliquem sacrificar um espaço que, uma vez perdido, jamais poderá ser recuperado. Espero que a Câmara ouça os moradores e reconsidere esta decisão.
Preservar este jardim é preservar a nossa história e o legado que deixaremos às próximas gerações.