Uma ilustração humorística publicada nas redes sociais viralizou entre os moradores do concelho, retratando o caos diário entre peões, ciclistas, trotinetas e cães no Passeio Marítimo de Oeiras.
O “Passeio Martírio”
A imagem é caricata, mas a mensagem é séria. Uma ilustração que circula nas redes sociais mostra o Passeio Marítimo de Oeiras transformado numa corrida de obstáculos, com peões a desviar-se de bicicletas, trotinetas, skates e cães — gerando uma onda de identificação entre quem frequenta o espaço diariamente.
A publicação, que não pretende atacar nenhuma entidade em particular mas sim “alertar para uma situação que acontece todos os dias”, gerou centenas de comentários e dividiu opiniões entre os residentes.
O que diz o regulamento
O que muitos não sabem — ou ignoram — é que já existe regulamentação em vigor. O Regulamento N.º 838/2021 da Câmara Municipal de Oeiras proíbe a circulação de bicicletas, trotinetas, patins, hoverboards e segways no Passeio Marítimo durante determinados períodos, nomeadamente aos sábados, domingos e feriados, e entre abril e novembro. A exceção aplica-se apenas a crianças até aos 8 anos acompanhadas pelos pais.
As placas com esta informação estão afixadas nas entradas do passeio. O problema, como muitos moradores apontam, é que praticamente ninguém as cumpre — e a fiscalização é quase inexistente.
O debate na comunidade
A publicação dividiu a comunidade em dois campos. Por um lado, quem frequenta o passeio a pé descreve situações de risco real: bicicletas elétricas em velocidade, grupos a ocupar toda a largura do espaço, trelas extensíveis a criar armadilhas invisíveis. Por outro, há quem defenda que o problema não está nos utilizadores de bicicleta em si, mas na falta generalizada de civismo e respeito — extensível a peões, donos de cães e todos os que partilham o espaço.
Um ponto de consenso emerge claramente: a fiscalização é insuficiente. Com a PSP, a Polícia Municipal e a Polícia Marítima com presença no concelho, os moradores questionam por que razão as regras afixadas nas entradas do passeio continuam a ser ignoradas sem consequências.
Uma ciclovia que existe mas não é usada
Vários utilizadores apontam ainda para outro problema: existe uma ciclovia entre a Fábrica da Lusalite e a Estação de Caxias, mas os ciclistas continuam a preferir o passeio pedonal. Para alguns, a solução passa por criar alternativas mais seguras e atrativas para os meios de micromobilidade — retirando-lhes a justificação para circular onde não devem.
O que pode melhorar
O debate em torno do Passeio Marítimo de Oeiras resume-se, no fundo, a três necessidades concretas: mais fiscalização efetiva das regras já existentes, mais civismo por parte de todos os utilizadores, e uma gestão mais clara do espaço que permita a coexistência segura entre peões, ciclistas e donos de animais — sem que ninguém tenha de sentir que está a arriscar a integridade física cada vez que decide dar uma caminhada à beira-mar.
Fonte: https://www.facebook.com/groups/355809274479684/permalink/26639653362335250/





















